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GPO com Processamento de Loopback

  • Foto do escritor: Rodrigo Motta
    Rodrigo Motta
  • 5 de jan.
  • 4 min de leitura

Se você administra Active Directory há algum tempo, provavelmente já ouviu falar em Loopback Processing. Agora, se você realmente entende como ele funciona, quando usar e como configurar corretamente, você faz parte de uma minoria.


O processamento de loopback em GPO é um daqueles recursos que quase não aparecem em cursos básicos, raramente são explicados com profundidade e, quando mal utilizados, causam confusão, impacto em usuários e longas sessões de troubleshooting.


Neste artigo, vamos tratar o loopback da forma correta: sem mistério, sem “receitas mágicas” e com foco em cenários reais de infraestrutura corporativa.


Por que o Loopback existe?


Por padrão, o Active Directory processa GPOs de forma bastante lógica:


  • Configurações de Computador → baseadas na OU onde o computador está

  • Configurações de Usuário → baseadas na OU onde o usuário está


Esse modelo funciona perfeitamente… até o momento em que o comportamento do usuário precisa mudar dependendo do computador que ele utiliza.


Alguns exemplos bem comuns:

  • Usuários acessando um servidor RDS ou AVD

  • Estações compartilhadas (recepção, call center, chão de fábrica)

  • Quiosques corporativos

  • Ambientes onde segurança e padronização são mais importantes que personalização

Sem loopback, o Active Directory simplesmente não consegue resolver esse tipo de cenário de forma limpa.


O que é, afinal, o Loopback Processing?


O Loopback Processing é um mecanismo que altera a forma como o Windows processa as GPOs de usuário durante o logon.

Na prática, ele diz ao sistema:

“Ignore (ou complemente) as políticas de usuário baseadas na OU do usuárioe considere as políticas definidas na OU do computador.”

Ou seja, o computador passa a influenciar — ou controlar totalmente — o comportamento do usuário.


Esse detalhe muda completamente a lógica tradicional de aplicação de GPOs.


Um ponto crítico (e onde muitos erram)

Loopback é sempre uma configuração de COMPUTADOR.

Mesmo que o objetivo seja aplicar restrições ou configurações ao usuário,a GPO que habilita o loopback precisa estar vinculada à OU do computador, nunca à OU de usuários.

Esse erro, sozinho, explica boa parte dos ambientes “quebrados” por loopback.


Onde o Loopback é configurado?

A configuração fica exatamente aqui:

Computer Configuration
 └─ Policies
    └─ Administrative Templates
       └─ System
          └─ Group Policy
             └─ User Group Policy loopback processing mode

Ao habilitar essa política, você precisa escolher um dos dois modos disponíveis.


Os dois modos de Loopback Processing



Modo Merge


No modo Merge, o Windows faz o seguinte:

  1. Aplica normalmente as GPOs de usuário (baseadas na OU do usuário)

  2. Em seguida, aplica também as GPOs de usuário vinculadas à OU do computador

  3. Em caso de conflito, a política do computador prevalece


Na prática:

  • O usuário mantém parte do seu ambiente padrão

  • O computador complementa ou ajusta o comportamento


Quando usar:

  • Ambientes híbridos

  • Estações compartilhadas, mas não totalmente restritivas

  • Cenários de transição ou testes


Modo Replace


No modo Replace, a lógica muda completamente:

  1. As GPOs de usuário da OU do usuário são ignoradas

  2. Apenas as GPOs de usuário vinculadas à OU do computador são aplicadas

Ou seja:

  • O computador define 100% do comportamento do usuário

  • Não importa de onde o usuário veio


Quando usar:

  • Servidores RDS / AVD

  • Quiosques

  • Recepção

  • Call centers

  • Ambientes de alta restrição e padronização


Na dúvida, para RDS, a resposta quase sempre é Replace.


Como habilitar e configurar o Loopback corretamente


1. Organize a OU dos computadores

Antes de tudo, tenha uma OU clara e específica.

Exemplo para RDS:

OU=SERVIDORES
 └─ OU=RDS
     ├─ SRV-RDS01
     ├─ SRV-RDS02

Evite aplicar loopback em OUs genéricas ou em nível de domínio.


2. Crie a GPO de Loopback


No Group Policy Management:

  1. Clique com o botão direito na OU dos computadores

  2. Selecione Create a GPO in this domain, and Link it here

  3. Use um nome explícito, por exemplo:

GPO - Loopback - RDS - Replace

Nomear bem essa GPO evita confusão meses depois.


3. Configure a política

Edite a GPO e vá até:

Computer Configuration
 └─ Policies
    └─ Administrative Templates
       └─ System
          └─ Group Policy
             └─ User Group Policy loopback processing mode
  • Marque como Enabled

  • Escolha Merge ou Replace

  • Salve


4. Onde entram as GPOs de usuário?

Aqui está o ponto que mais gera dúvida:

Quando o loopback está ativo, as GPOs de usuário devem ser vinculadas à OU do computador.

Exemplo:

OU=SERVIDORES
 └─ OU=RDS
     ├─ GPO - Loopback - RDS - Replace
     ├─ GPO - User - RDS - Restricoes
     ├─ GPO - User - RDS - Ambiente

Não adianta criar GPO de usuário perfeita se ela estiver linkada apenas na OU de usuários.


5. Teste e valide

No computador:

gpupdate /force

Após logar com um usuário comum:

gpresult /r

Você deve ver algo como:

User Group Policy loopback processing mode: Replace

Esse comando evita horas de achismo.


Erros clássicos ao usar Loopback

  • Aplicar loopback na OU de usuários

  • Habilitar loopback sem mover o computador para a OU correta

  • Usar Replace quando o cenário pede Merge

  • Não documentar a existência do loopback

  • Testar apenas com conta administrativa

Se o ambiente “ficou estranho”, 90% das vezes o problema está em um desses pontos.


Boas práticas finais

  • Use loopback apenas quando houver necessidade real

  • Prefira OUs específicas e bem nomeadas

  • Documente sempre

  • Teste com usuários comuns

  • Use gpresult como aliado


Conclusão


O Loopback Processing não é um recurso avançado — ele é um recurso mal explicado.


Quando bem compreendido, resolve cenários que, sem ele, exigiriam scripts complexos, múltiplos domínios ou soluções improvisadas.


Se você administra RDS, AVD ou estações compartilhadas, dominar loopback não é diferencial. É parte do básico bem feito.


 
 
 

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